Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006

Os nossos "velhos"!

Cada vez mais me preocupa a sociedade em que vivemos e, ainda mais, a forma como a nossa sociedade vive. A sociedade deixou de dar valor áquilo que há uns anos atrás tinha o maior dos valores. Vejamos os nossos “velhos”. Pessoas que, na maior parte das vezes, tem uma história de vida riquíssima, que têm tanto para ensinar aos “mais novos” e, acima de tudo, pessoas que são Pessoas. Têm sentimentos, emoções, e a vida que ainda está à sua frente pode ser muito rica e dar-lhes muitas alegrias. No entanto, deparo-me com situações que me levam realmente a interrogar se a sociedade que vivemos é “humana”. Que me leva a interrogar, afinal, que normas e valores é que existem hoje em dia.
Deparo-me com um dos nossos “velhos” que me conta que trabalhou uma vida inteira para dar de tudo aos seus filhos, à sua família. De repente toda a sua vida mudou, e agora encontra-se completamente isolada, em depressão e até com pensamentos suícidas. Não é doente mas a solidão, o medo, a tristeza, o não receber de volta o amor que sempre deu faz com que a vida não tenha mais sentido, não tenha mais valor. Faz com que deseje estar morta porque assim não dá mais trabalho a ninguém e os seus filhos e restantes familiares podem viver a vida deles à vontade. Hoje chorei com ela... hoje agarrei-lhe a mão e demonstrei-lhe que afinal há alguém que dá valor à sua vida. Hoje tirei uma hora apenas para ouvi-la, para que ela abrisse o seu coração e me dissesse aquilo que não tem coragem de dizer a mais ninguém. Hoje fiz a diferença na vida de um dos nossos “velhos”. E, ainda que me sinta um pouco recompensada, sinto-me triste, irritada e até revoltada por saber que, por esse mundo fora, milhares de “velhos” se sentem desta forma.
NÃO! NÃO entendo porque tão pouca gente se importa. Não entendo que estejamos tão intensamente preocupados com nós próprios e com as nossas vidas egoístas que esquecemos aqueles que mais significaram para nós. Esquecemos que não são só os “novos” que sofrem depressões. Os nossos “velhos” vivem, na maioria, isolados do mundo, ou então num mundo àparte, um mundo que lhes é imposto. Porque, devido à sociedade apressada e egoísta, de procura de prazeres imediatos em que vivemos, não lhes permitimos viverem no “nosso” mundo. Como somos egoístas!
É bom que façamos um pouco de introspecção e mudemos a nossa maneira de lidar com os nossos "velhos". Tenho a certeza que aprenderíamos muito mais! Tenho a certeza que eles seriam muito mais felizes!
 
 
escrito por JustWords às 20:51
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De Pandora a 13 de Outubro de 2006 às 11:53
Olá, gostava de partilhar contigo uma história que recebi por mail e que me tocou muito. De facto a maneira como se tratam os "velhos" na nossa sociedade revela uma cresente perda de valores que são fundamentais, a compaixão e o carinho pelo próximo. Amanhã, os "velhos" seremos nós. Parabéns pela forma como abordaste este tema.

A TIGELA DE MADEIRA
Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trémulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trémulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.
“ Precisamos tomar uma providência com respeito ao pai”, disse o filho. “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.” Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.
Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação.
Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.
Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestaçoes ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.
O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança: “O que você está fazendo?”
O menino respondeu docemente:
“Oh, estou fazendo uma tigela para ti e para a mãe comerem, quando eu crescer.”
O garoto de quatro anos sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora
ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.
Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.
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